domingo, 16 de agosto de 2015

"Obsessão"


                                                                                            Por: Nanin Loustau

                                

Apresentou-se  a obsessão
Repetia sem cessar indevidas acusações
Desorientada locomovia-se com a  ânsia particular dos disparatados
Seus olhos não possuíam brilho algum, eram cinzentos..... sem esperança
Transbordavam antipatia e negligência
A loucura vive intensamente sua leviana presunção
Egocêntrica, nasceu do acaso
É hospedeira e chantagista
Sopra e aconselha regras
A loucura domina os instintos
A decadência instaura-se
Escandalosa,  necessita ser contemplada
Lapida e manipula a sorte
Impostora da razão
Estampa no semblante sua permanência
Alucinações são reveladas em segredo ao entendimento
A exclusividade das miragens
No jardim do absurdo, você é conduzido pelo tormento a  um passeio sem volta............

quarta-feira, 29 de julho de 2015

"O Imperador mordaz"

                      Por: Nanin Loustau

O tempo flutua no espaço alucinante das emoções humanas
É um  Magnífico ditador
O relógio marca o nosso compasso
As suas estações não têm idade
A beleza em suas mãos  é destruída com afinco
Massacra com dedicação
E oferece o ritual aos homens, para que observem
Que é questão de curto período e oxigênio
Morremos a cada fôlego
Apenas parcelamos os  instantes
O futuro não existe, o
inventamos 
Sucumbimos perante o tempo
Viandante das galáxias
Imperador  sarcástico e mordaz
Só os grandes ousaram  duelar
Marcaram o tempo
Fizeram-se memoráveis
O tempo triunfante e..... paciente
Somos nós vítimas, do tempo?
Creio que não, o tempo é demasiadamente ostensivo
Ser o tempo é o seu talento!



terça-feira, 28 de julho de 2015

“Antropófagos da paixão”





                                                                     Por : Nanin Loustau
Olhares penetrantes e desafiadores
Rivalizar aqui é arriscado
Instintivamente  envolventes
Os Antropófagos  da paixão
Fazem um brinde à intensidade do ardor
Seres de ousadas apetências
Violência e desejo não herdam rédeas
E quando sob a influência dos impulsos
são incontroláveis e obscuros
No abismo do êxtase,  a  delicia  é soberana
A afrodisia emana,  cores, aromas e vícios
As parreiras são  venenosas
A embriaguez desapropria a culpa
Os delírios e extravagâncias, são  permitidos
Todos rendidos aos caprichos da vontade
O juízo é submetido ao artifício do disfarce
A corrupção é sedutora e cínica
Dançam todos ao som da rebeldia
O surrealismo fortuito e insólito, domina  o esconderijo do prazer
O ímpeto da beleza reina sob a  suntuosidade  das formas
E o amor?
Quem conhece o amor?
Que atreva- se a descrevê-lo ou  defini-lo!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

A soberania dos livros

                                                                                               Por: Nanin Loustau

                                                                                                                             

Os outros dias em meio ao vazio e crise existencial, percebi o quão a literatura têm poder sobre mim, muitas vezes é quase um narcótico, outras tantas vezes, inquieta e desperta-me, as experiências reais são preciosas, mas as experiências fictícias são excelentíssimas.
Bom, como ia dizendo......em meio à multidão de sensações, resolvi folhear um livro dos que estou lendo para às crianças Zig-Zag  da escritora Eva Furnari , funciona bem, me fez rir e eu gostei.
Os livros incontáveis vezes te derrubam, te arrastam em praça pública, cujo único espectador é você mesmo, te expõem a um esquartejamento de ideias, levantam-se verdadeiras guerras épicas, outros recolhem-te , acariciam-te e assopram os arranhões.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

"As Mil Almas"


Por: Nanin Loustau


Sou possuidora de mil almas, loucas, extorsionárias, vampiras vorazes, doces envenenadoras, pérfidas, homicidas , incendiárias, algumas tão perversas que foram enjauladas, acorrentadas e atiradas em precipícios, as mais sociáveis transitam em liberdade, as de alta periculosidade permanecem trancadas no calabouço subterrâneo , as vezes provocam rebeliões interiores, gritam, debatem-se e sangram, mas contudo não desprezo, tampouco sacrifico nenhuma, pois me são todas úteis, necessitando, tenho a potência de ir à sua procura nos mapas que foram traçados pela insanidade e destranca-las.
















Texto escrito em 2009 na cidade de João Pessoa- PB
Inspirada pela obra "O Lobo da Estepe" do Hermann Hesse.
Publicado dia 29/05/15

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Pensamentos....





Sobre o conto "Feliz ano novo" do Rubens Fonseca...impactante, hediondo e autêntico!

"Gosto de autores que nos arrancam dos belos aposentos da nossa imaginação, e nos jogam em remotos buracos insalubres....... como quem diz: sobreviva a isso!" Nanin Loustau
                                                                                                                       

                                                                                                                         

domingo, 3 de maio de 2015

“Os Transeuntes”




      Crônica       


                                     “OS TRANSEUNTES”


                                                                             Por: Nanin Loustau

Segunda-feira, o sol explode nas janelas das casas,

é o dia em que somos novamente trazidos com veemência para a realidade.

As ruas da cidade estão movimentadas, trânsito infernal,  movimento de som característico,

somos quase que contagiados pelos passos apressados  a caminhar em igual ritmo

pessoas passam, completamente alheias à nós,

na multidão personagens enigmáticos do cotidiano,

Os ônibus, passam repletos, os que ficaram de pé invejam integralmente os que viajam sentados.

Sentimentos são gerados , ou a falta deles.

Leitor,  já prestou atenção como às pessoas comportam-se nas artérias da cidade?

Certo dia quando peguei um ônibus, desses bem cheio de gente

um senhor adentrou, ocupava dois lugares, vestia calças e um cinto bem apertado que o deixava em formato de 8.

Na frente, um senhor de seus 70 anos, a principio pensei que conversava com o cobrador,  não era, pois este usava fone de ouvidos, logo pensei, bom

Conversa com o motorista?

com a senhora  que estava ao lado? Nada

O tempo ia passando, e num determinado momento constatei que ele falava sozinho!

Ele fazia três tipos de vozes, uma perguntava em tom grave e sonoro, uma outra voz mais suave e fina respondia e a outra voz era a que dava opinião em tom enérgico.

Vai entender......

O motorista faz outra parada obrigatória, onde entra outra figura, um homem trajando indumentária gaúcha completa, como quê reforçado a original estirpe, no pescoço um lenço vermelho, deixando claro ser Maragato, de acessório mais contemporâneo, um óculos do tipo espelhado.

Mais adiante entrou uma mulher barbada,  confiem

pensei que só existia no circo, absolutamente, essa mulher passeia por aí,

personagens  do tipo  que assustam crianças,

de parada em parada o ônibus ia aos poucos superlotando

quando já repleto, uma mulher fica de fora, trajava saias longas lembrava ser hippie

as pessoas faziam sinal com às mãos de “ lotado, lotado”

mesmo assim  ela reclamou  pó meu ! por quê eu não posso entrar?
e um, lá de dentro gritou,  vai de a pé! 
Desci, por sorte, aquilo era um hospício.

Caminhava quando,  uma mulher ia atravessando a avenida demoradamente

E um ciclista ralhou, sai da frente !
Esta  respondeu-lhe rapidamente estou na faixa!  desbocada, logo proferiu um palavrão.

As pessoas  maltratam-se, protegidos pelo escudo do anonimato.


A grosseria irmã da barbárie, habita na selva das esquisitices, certamente!